Instalado nos antigos Casarões do Valongo (reconstruídos), o Museu Pelé apresenta a incrível trajetória de Edison Arantes do Nascimento, o Rei do Futebol. No local, estão expostos documentos, camisas, chuteiras, bolas, condecorações e troféus, entre muitos outros itens do acervo pessoal do 'Atleta do século XX'. Nos 4.134m² do museu, o público também aprecia áudios, filmes, fotos e textos sobre a história de Pelé.

Linha do tempo

Na linha do tempo, o visitante confere a infância pobre do menino Edson, na cidade mineira de Três Corações, passando pelos primeiros passos no futebol já cidade de Bauru (SP), chegada ao Santos Futebol Clube e a estreia na seleção brasileira, até suas dezenas de conquistas pelos gramados do mundo inteiro.

Infância

Com apenas sete anos, Pelé reuniu pedaços de madeira e, ajudado por seu tio Jorge, fez uma caixa de engraxate e ia em busca de clientes na estação de trem de Bauru (São Paulo). Foi com ela que o menino Edson ganhou seu prieiro dinheiro: uma moeda de 400 réis. Neste rádio, Pelé acompanhava os jogos de futebol com seu pai. E foi por ele seu Dondinho ouviu os comentários sobre a derrota do Brasil na final da Copa de 1950, diante do Uruguai – foi a primeira vez que Pelé viu seu pai chorar. E prometeu-lhe que ganharia um Mundial, fato que aconteceu oito anos depois.

Troféus

Ao ganhar três vezes a Copa do Mundo (1958 na Suécia, 1962 no Chile e 1970 no México), o Brasil conquistou a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Ela media 35cm e pesava 3,8km – foi roubada na Inglaterra em 1966, mas localizada por um cão, e desapareceu no Rio de Janeiro em 1983. Réplica idêntica foi doada pelo Governo do México após a Copa do Mundo de 1970. Por nunca ter jogado em um time europeu, Pelé jamais concorreu à Bola de Ouro da Fifa. A injustiça foi reparada em 13 de janeiro de 2014, quando o Rei do Futebol recebeu o troféu, pelo conjunto de sua carreira.

Acervo Real

Foi com camisas azuis com gola polo que a Seleção Brasileira venceu a Suécia, por 5 a 2, na final da Copa de 1958. Os finalistas tinham como primeiro uniforme a camisa amarela e, como os suecos eram os donos da casa, coube ao Brasil escolher outra cor. O jeito foi comprar essas polos em Estocolmo e acrescentar distintivos e números. Com estas chuteiras, Pelé fez quatro gols, deu cinco assistências, cavou a falta para Rivellino empatar o jogo contra os tchecos e fez tantas jogadas espetaculares que, aos 29 anos e oito meses, foi escolhido como o melhor jogador da Copa do México. Coroa e cetro oferecidos pela seleção iugoslava antes da partida com a seleção brasileira em 18 de julho de 1971, no Maracanã, quando Pelé despiu para sempre a camisa 10 por ele imortalizada. O Rei passou em branco e o jogo terminou 2 a 2.

4 Copas e 1 Rei

Nos mezaninos do museu, está a exposição temporária ‘4 Copas e 1 Rei’. Na Copa da Suécia, em 1958, Pelé assombrou o mundo marcando seis gols, destacando-se, com apenas 17 anos, no primeiro título do Brasil. Quatro anos mais tarde, prejudicado por uma contusão, Pelé marcou apenas um gol na conquista do bi-mundial, no Chile. Em 1966, o Rei foi 'caçado' em campo e os brasileiros voltaram para casa sem o título. Mas a trajetória de Pelé nas Copas teria um final feliz em 1970, no México, onde conquistou a Taça Jules Rimet pela terceira vez, tornando-se o único jogador tricampeão do mundo na história do futebol. O Museu Pelé conta também com uma cafeteria e com uma loja temática, onde o visitante pode adquirir desde suvenires até réplicas de camisas históricas usadas pelo Rei do Futebol.

Casarão do Valongo

O Museu Pelé funciona na que foi a maior edificação paulista, em sua época. O primeiro prédio foi erguido em 1867 para abrigar a sede do governo da Província de São Paulo, que seria transferida para Santos – mas isso não aconteceu. O segundo data de 1872. De estilo neoclássico, os imóveis sediaram, ao longo dos anos, a Prefeitura e a Câmara, e abrigaram a primeira faculdade de Farmácia e Odontologia da cidade. Depois funcionaram como comércio. Em 1985, um incêndio destruiu um dos prédios, sinistro que atingiu o outro em 1992 – por décadas ficaram em ruínas. Após quatro anos de obras, que reconstruiu a fachada original, volumetria e acabamentos, o edifício foi inaugurado em junho de 2014, com modernas instalações no espaço interno.