Palácio Saturnino de Brito

Construído no final do século XIX e submetido a duas ampliações (1919 e 1937), o edificio-sede da Sabesp (Superintendência de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) na Baixada Santista abriga, em seus 1.050m², além da Superintendência da Unidade de Negócio, o Museu Saturnino de Brito.

O imóvel de arquitetura Art déco tem o aspecto atual desde 28 de agosto de1937, quando foram inauguradas as obras de ampliação do sobrado que, em 1919, já tivera duplicara sua área construída. A edificação  ocupou terreno antes utilizado como pista de patinação, ringue de luta greco-romana, circo e até corrida de touros..

Saturnino de Brito

O sobrado original, de 1903, foi projetado para abrigar a Comissão de Saneamento, liderada pelo engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, o Patrono da Engenharia Sanitária do Brasil. Ele foi o responsável pelo pioneiro sistemas de drenagem e de rede de esgotos que livrou a cidade de epidemias e garantiu o desenvolvimento de Santos. Seu projeto de saneamento da cidade, naquela época com 44.500 habitantes, previa 66 quilômetros de redes, 12 quilômetros de emissários, dez estações elevatórias, uma usina terminal e uma ponte pênsil. Erguida em 1914, em São Vicente, a ponte conduzia as tubulações que lançavam o esgoto na Ponta de Itaipu, área hoje do Município de Praia Grande.

Salão principal

A grande porta de entrada em ferro batido chama a atenção de quem chega ao salão principal, onde se destaca o piso de mármore nacional, que reveste também a escadaria emoldurada pelo imponente vitral ‘Os Bandeirantes’. O piso do hall é revestido, também, de faixas de granilite filetado de latão. A iluminação indireta é feita através de calhas de gesso, modelado e pintado à ‘majolica’ (técnica originária da Itália). Iluminando a escadaria, destaca-se uma cúpula, também de vitral, em cujo centro está o escudo do Estado de São Paulo.

Vitral

Com seis metros de altura, o vitral ‘Os Bandeirantes’ retrata a escalada da Serra do Mar pelos bandeirantes. Produzida pela Casa Conrado, de São Paulo, a imagem, bastante colorida e com figuras elaboradas, é equiparada ao moderno tropicalismo. Trata-se do primeiro trabalho no ‘estilo brasileiro’, criado por Conrado Sorgenicht II, filho do artista alemão de mesmo nome que, no século XIX, trouxe para o Brasil a arte dos vitrais. Em 1925, ele viajou para a Europa e trouxe o belga François Frank Urban, que trabalhou durante muitos anos no Casa Conrado e criou o vitral da Sabesp santista. A composição artística do vitral mostra, em primeiro plano, uma árvore gigantesca ao centro, um grupo de bandeirantes armados e índios carregando pesados fardos. À esquerda, ao fundo, um pedaço de mar, com caravelas atracadas à beira da mata.

Móveis

Ainda no hall, estão expostos os móveis utilizados pelo sanitarista Saturnino de Brito durante o período em que trabalhou na cidade e criou o sistema de canais de drenagem utilizados até hoje. Restauradas, estas peças ajudam a contar um importante capítulo do projeto de saneamento viabilizado em Santos. Dentre os móveis, a escrivaninha utilizada por Saturnino de Brito enquanto atuava na região.

Projetos

Em sala próxima, estão fotos sobre a história do saneamento da Baixada Santista, imagens dos canais de drenagem na época da inauguração (início do século 20), equipamentos e projetos originais do sanitarista. Dentre os projetos expostos, o pioneiro sistemas de drenagem e de rede de esgotos que livrou a Cidade de epidemias e garantiu seu desenvolvimento.