Engenho dos Erasmos

Considerado um dos sítios arqueológicos mais importantes do país, o São Jorge dos Erasmos foi o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, segundo Frei Gaspar de Madre de Deus e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

Construído em 1534 no sopé do Morro da Caneleira, é considerado o único no Brasil - e talvez no mundo - em estilo açoriano, que identifica o arquipélago onde os portugueses desenvolveram a indústria açucareira. Essa  característica é dada pela construção aglutinada, com todas as instalações sob um mesmo teto. Ele é, também, o único engenho cujas ruínas se encontram preservadas no país.

Cultura

O sítio arqueológico é hoje uma base avançada de pesquisa, cultura e extensão universitária da USP. Transformado em um espaço turístico-cultural, oferece calendário de atividades gratuitas, entre elas saraus, oficinas, cursos certificados, palestras e concertos. O engenho é pólo de múltiplas atividades profissionais. Nele trabalham e aperfeiçoam-se historiadores, filósofos, arqueólogos, geógrafos, biólogos, engenheiros, arquitetos, jornalistas e educadores das mais diversas áreas.

História

Localizado na atual divisa das cidades de Santos e São Vicente, o engenho, movido a água, tinha construção típica da época: pedra, óleo de baleia e cal, com várias edificações aglomeradas em um único sentido. Acredita-se que possuía moenda, caldeiras, depósitos, estábulos e senzala. A Ilha de São Vicente, onde se encontram as duas cidades, foi o berço da industrialização da cana-de-açúcar, responsável pela exportação das primeiras caixas do produto americano para a Europa. Na primeira metade do século XVI, Santos contava, ainda, com os engenhos Madre de Deus e São João.

Produção

O engenho produziu açúcar pelo menos até 1580. No início do século XVII, começou a sofrer os efeitos da decadência dessa cultura no país e da concorrência do açúcar produzido no Nordeste. Mas continuou produzindo açúcar para exportação, além de rapadura e aguardente para consumo interno. Por volta de 1615, a edificação teria sido destruída por um incêndio provocado pelo pirata holandês Joris Spilbergen.

Processo de produção

As ruínas, que ocupam cerca de 3.200m², foram doadas à Universidade de São Paulo (USP) em 1958 e seu entorno, com aproximadamente 41 mil m², repassado em 1987 à Prefeitura de Santos. A área, então, foi considerada de utilidade pública, o que garantiu visibilidade em torno das ruínas. Durante escavações, a USP encontrou fôrmas de pão-de-açúcar anteriores a 1615. Essas fôrmas eram cones com um furo na ponta, que recebiam o caldo de cana fervido e o armazenavam por 45 dias. Após esse período, o ‘pão’ era retirado e cortado pelos escravos, que separavam para exportação a parte mais clara, depositada na camada superior do bloco de açúcar. Na parte inferior, ficava depositada a mistura de bagaço com impurezas, destinada à alimentação dos escravos. (Foto meramente ilustrativa)

Propriedade

Segundo pesquisas, as ruínas, o engenho de São Jorge dos Erasmos nasceu de uma sociedade comercial que envolveu cinco sócios: Martim Afonso de Sousa (donatário da Capitania de São Vicente, considerado o primeiro colonizador ‘oficial’ do Brasil) e seu irmão Pero Lopes de Souza, o flamengo Johan Van Hielst, Francisco Lobo e Vicente Gonçalves. O engenho recebeu o nome de São Jorge dos Erasmos depois de ter sido adquirido pela empresa Erasmo Schetz e Filhos. Banqueiro e proprietário de navios em Amsterdã, Schetz comprou as partes de cada um dos sócios em 1544 e tornou-se o único proprietário do engenho. A documentação original do engenho foi escrita em flamengo arcaico.