Dia da criatividade
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Dia da Criatividade: Santos transforma inovação em matéria-prima de oportunidades

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Ideias que nascem do inesperado, mãos que transformam matéria em significado e pessoas que descobrem, no ato de criar, novas formas de existir e empreender. Nesta terça-feira (21), Dia Mundial da Criatividade, Santos celebra seus potenciais, suas iniciativas e os talentos de um Município que faz da inovação uma matéria-prima de conquistas e prestígio internacional.

O fortalecimento desse cenário aparece em iniciativas recentes, como a chegada da Escola de Criadores, projeto do Instituto KondZilla que oferece formação gratuita em audiovisual, design, marketing e cultura digital para jovens de 16 a 22 anos.

Desde novembro do ano passado, as atividades são realizadas na Casa do Artesão, na Casa do Trem Bélico, ampliando oportunidades para quem deseja transformar ideias em carreira.

Outro avanço é a inauguração da 11ª Vila Criativa, ainda este mês, no bairro Santa Maria, na Zona Noroeste, que ampliará a oferta de qualificação, inclusão e qualidade de vida, integrando as comemorações pelos 480 anos da Cidade.

“Santos carrega, em sua história, o prestigiado título internacional de Cidade Criativa da Unesco e vive diariamente o movimento gerado por uma cultura voltada à inovação, à arte e ao empreendedorismo criativo”, destaca a secretária de Comunicação e Economia Criativa (Secom), Selley Storino.

Cidade Criativa do Cinema, Santos reúne mais de 20 salas de exibição - cinco públicas -, recebe festivais importantes, forma profissionais em instituições especializadas e frequentemente se transforma em cenário para produções com o suporte da Santos Film Commission.

Vinculada à Secretaria de Cultura, a iniciativa atua há mais de 20 anos facilitando autorizações, indicando locações e conectando produtoras a fornecedores locais, tendo acompanhado mais de mil projetos.

Nos últimos anos, a Film Commission também apoiou produções viabilizadas por leis de incentivo como Facult, ProAC, Aldir Blanc e Lei Paulo Gustavo. Entre elas está o trabalho do produtor colombiano Brayan Quinto, o Gori, criador da GoriFilms, que participou de projetos aprovados em editais, como o premiado videoclipe Hecatombe, da banda santista Fizeram a Elsa.

Atualmente, ele desenvolve o projeto Território Hip Hop – Escola de Rimas, que leva exibições e oficinas a escolas públicas, envolvendo adolescentes na criação de uma música inédita.

“A minha criatividade nasce de experiências pessoais e de uma trajetória que construo há mais de dez anos com a Gori Films. Meu trabalho aborda temas como infância, imigração e xenofobia, usando a ficção para criar novas narrativas e ressignificar experiências”, explica.

A economia criativa santista mantém crescimento consistente, reunindo cerca de 9 mil microempreendedores individuais, dos quais 75% atuam nos segmentos de gastronomia, moda e acessórios. O setor saltou de 7.479 empresas em 2013 para 21.989 em 2024.

Já os empregos passaram de 2.709 para 8.175 no mesmo período, movimento impulsionado por iniciativas de apoio como o Sebrae Aqui e o Banco do Povo, responsáveis por milhares de atendimentos e mais de R$ 20 milhões em crédito concedido ao longo dos últimos anos.

Entre os principais impulsionadores está o programa Feito em Santos, criado na pandemia e hoje consolidado como vitrine para artistas, artesãos e empreendedores. Com mais de 19,8 mil seguidores nas redes sociais, o projeto já promoveu dezenas de feiras, impactou 2.740 empreendedores e gerou mais de R$ 2,5 milhões em 2025.

A iniciativa inclui feiras presenciais, consultorias, capacitações, uma Aceleradora de Negócios Criativos e o programa Primeiros Passos, voltados ao desenvolvimento de habilidades para impulsionar pequenos e médios empreendimentos.

Parcerias com a Esamc e o Sebrae resultam em mais de uma centena de cursos que orientam a transformação de talentos em negócios sustentáveis.

A Cidade também se destaca por espaços que promovem inclusão e qualificação. As Vilas Criativas oferecem cursos, atividades culturais e esportivas em diferentes bairros, garantindo cerca de 2 mil vagas em formação profissional e a realização de aproximadamente 300 atividades em 2025, com público médio de 5 mil pessoas.

No Centro Histórico, a Casa do Artesão, na Casa do Trem Bélico, funciona como espaço rotativo de comercialização, encontros e oficinas, tendo recebido 1.468 visitantes e impactado 620 empreendedores no último ano.

Para a artista Letícia Passarelli, de 28 anos, à frente do @verdearts, a criatividade nasce da observação e do incentivo ao desenvolvimento artístico. “A criatividade é algo que todos nós temos e pode ser desenvolvida ao longo do tempo. A minha vem da observação do cotidiano e do treino do olhar para enxergar potencial no que é comum", afirma.

"Equipamentos como a Casa do Artesão, o Feito em Santos e as Vilas Criativas são fundamentais para fomentar, incentivar e capacitar artistas e artesãos, além de mostrar para quem está começando que vale a pena confiar no processo, arriscar e buscar capacitação”, reforça Leticia.

Complementando esse ecossistema, a Ecofábrica oferece capacitação em marcenaria ecológica com madeira reciclada. A proposta une inclusão social, consciência ambiental e geração de renda, ampliando oportunidades dentro da economia criativa.

Para o professor Nilson Farias, 45 anos, responsável pelas atividades de marcenaria da unidade do Valongo, a criatividade é parte essencial do processo de aprendizagem e inclusão.

“Atendemos turmas diversas, incluindo o público 50+ e, recentemente, alunos com autismo, que chegam sem experiência e surpreendem pela dedicação e vontade de aprender. Mais do que ensinar a trabalhar com a madeira, buscamos estimular a criatividade e a autonomia dos alunos, incentivando que tragam suas próprias ideias. Aqui, a criatividade é voltar a ser criança, resgatar a liberdade de imaginar e transformar isso em novas possibilidades”, diz Nilson.

Na unidade da Zona Noroeste, a jovem Kethelyn dos Anjos, de 22 anos, vem construindo sua trajetória profissional na Ecofábrica, onde ingressou após iniciar um curso de serralheria e descobrir na marcenaria a área em que sempre quis atuar.

Única mulher no equipamento, ela transformou o desafio em motivação e hoje participa da produção de peças destinadas a escolas, praças e equipamentos públicos, contribuindo diretamente com projetos da Cidade. “A minha criatividade sempre fez parte de quem eu sou. Desde a escola, as ideias surgem de forma natural, como se já tivessem nascido comigo”, conta.

Para ela, trabalhar em um ambiente majoritariamente masculino nunca foi uma barreira. “No começo existiu dúvida, mas eu respondo com trabalho. Como soldadora e marceneira, mostro na prática que competência não tem gênero”, completa.