Na Sala Dos Espelhos
Informações
Onde é?
ENDEREÇO
R. Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida, Santos - SP, 11040-900, Brasil
HORARIOS
20h
INGRESSO
De R$ 12 a R$ 40
Sobre o Evento
Inspirado na obra homônima da autora sueca Liv Strömquist, o espetáculo propõe uma reflexão crítica, sensível e contemporânea sobre os modos como a sociedade constrói e aprisiona a imagem feminina. Misturando humor ácido, autobiografia, filosofia, cultura pop e teatro performativo, a montagem mergulha nas relações entre autoimagem, redes sociais e os padrões de beleza que atravessam mulheres de diferentes gerações.
Em cena, acompanhamos uma mulher que vive simultaneamente dois processos de transformação: enquanto sua filha Nina entra na pré-adolescência e começa a desenvolver conflitos com o próprio corpo e aparência, ela mesma atravessa o climatério, revisitando suas inseguranças, memórias e experiências marcadas pelas cobranças impostas ao feminino. Ao perceber que a filha já começa a reproduzir mecanismos de autocrítica e inadequação, a protagonista decide transformar essa inquietação em um jogo de pensamento, convidando o público a refletir sobre o mito da beleza e suas consequências emocionais, sociais e políticas.
A adaptação teatral de Michelle Ferreira eFoto: divulgação parte do ensaio gráfico de Liv Strömquist, conhecido por reunir referências filosóficas, feministas e históricas com elementos da cultura pop. No palco, porém, essas ideias deixam de existir apenas no campo intelectual e ganham corpo através da atuação intensa de
Carolina Manica transforma conceitos em experiência viva, aproximando o público de temas como desejo, envelhecimento, pertencimento e validação social. Mais do que discutir padrões estéticos, Na Sala dos Espelhos investiga como o olhar do outro molda subjetividades e produz ansiedade em uma sociedade baseada na exposição constante. A peça questiona os mecanismos contemporâneos de validação, revelando como as redes sociais ampliam antigas estruturas de opressão estética e emocional, especialmente sobre mulheres e meninas. Ao mesmo tempo, aborda maternidade, herança emocional e os “espelhos” simbólicos transmitidos entre gerações, trazendo à tona uma pergunta central: como ensinar liberdade a alguém quando também fomos educadas diante de imagens distorcidas sobre nós mesmas? Com estética sofisticada e inquietante, a encenação combina humor, ironia e imagens impactantes para construir um ambiente onde realidade, memória e exposição pública se misturam constantemente. A trilha sonora de Ava Rocha e Grisa, a direção de arte de Fábio Namatame e a iluminação de Caetano Vilela criam uma atmosfera sensorial que transforma o corpo da atriz em território de disputa, espelho social e espaço de resistência.
Entre referências filosóficas e relatos cotidianos, o espetáculo convida o público a rir, se reconhecer e questionar os padrões invisíveis que regulam desejos, afetos e identidades. Ao transformar o palco em um espaço de reflexão coletiva sobre aparência, pertencimento e liberdade, a obra revela não apenas as violências produzidas pela cultura da imagem, mas também a possibilidade de reinventar novas formas de existir e de olhar para si.