No início do povoamento do Brasil, a ilha onde estão localizadas Santos e São Vicente era conhecida por Guaiaó, de acordo com documentos do início do século 16, entre eles a escritura de doação de terras a Pero Góis, datada de 1532.
Guaiaó é palavra de origem semítica (conjunto linguístico composto por uma família de vários povos que compartilham as mesmas origens culturais), provavelmente dado pelos povoadores hebraicos do litoral. Significa ‘lugar de fornecimento das provisões’, já que era na ilha que os viajantes encontravam índios amistosos e com eles trocavam mercadorias por gêneros alimentícios.
Parte da ilha onde surgiu a Vila de Santos ficou conhecida como ‘Enguaguaçu’, termo de origem indígena que significa ‘enseada grande’. Embora não se saiba a data precisa, Santos é um dos poucos municípios brasileiros que conhecem o local exato da formação do povoado: em torno do Outeiro (pequeno morro) de Santa Catarina, na atual Rua Visconde do Rio Branco nº 48, no Centro Histórico.
Braz Cubas
A formação do povoado deve-se a Braz Cubas, que veio para o Brasil em 1532 junto com Martim Afonso de Sousa, capitão-mor da capitania de São Vicente (abrangia a região de Santos, entre outras). Alguns anos depois, Martim Afonso doou as terras que compreendiam a atual Ilha Barnabé para Braz Cubas, que nelas se instalou com uma fazenda e plantações de cana-de-açúcar, arroz, milho e trigo.
Segundo documentação deixada por Frei Gaspar da Madre de Deus, Braz Cubas comprou depois terras de Pascoal Fernandes Genovez e de Domingos Pires, localizadas no Enguaguaçu, para evitar as longas viagens para ir à vila. Desde 1540, já existia sobre o outeiro uma pequena igreja, construída por Luiz de Góis e sua esposa, Catarina de Aguiar.
Em 1541, Braz Cubas conseguiu a transferência do porto, então localizado na foz do Rio Santo Amaro do Guaibê, em São Vicente, para o Enguaguaçu, onde já havia construído sua casa, vizinha ao Outeiro de Santa Catarina.
Nomeando
Posteriormente, para atender à população recém-instalada na região e os tripulantes das embarcações que chegavam ao porto, Braz Cubas fundou um hospital aos moldes das Casas de Misericórdia existentes em Lisboa. Por volta de 1546, Santos é elevada à vila e, em 26 de janeiro de 1839, passa à categoria de cidade.
Há três versões para a origem de seu nome. A primeira refere-se à fundação da Santa Casa de Todos os Santos, a segunda aceita a possível data de fundação da vila em 1º de novembro, Dia de Todos os Santos. Outra hipótese seria uma homenagem ao porto localizado em Lisboa, chamado Santos.
Primeira Ferrovia
A cidade é uma das mais antigas e importantes do Brasil. Além da Santa Casa, foi construída em Santos a primeira ferrovia do Estado de São Paulo (São Paulo Railway, em 1867) e o primeiro porto organizado no Brasil (1892), o maior da América Latina.
Espirito Santista
Berço dos irmãos Bartolomeu e Alexandre de Gusmão, do patriarca da Independência José Bonifácio de Andrada e Silva, dos poetas Martins Fontes e Vicente de Carvalho, e do governador Mário Covas Júnior (1995-2001), Santos foi a porta de entrada da maioria dos imigrantes que chegaram ao Brasil.
Santos, a primeira cidade a comemorar o 1º de Maio e declarada território livre em 1886, dois anos antes da abolição oficial, também registrou forte e combativo movimento operário, que organizou a primeira greve geral em território nacional (maio de 1891, com 11 dias de duração e 4 mil grevista). Por sua tradição oposicionista, passou a ser conhecida por ‘Barcelona Brasileira’ e, depois, a ‘Moscou Brasileira’.