Feito em Santos
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Programa Feito em Santos completa 6 anos de incentivo ao empreendedorismo na Cidade

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Empreender exige força, coragem, criatividade e capacidade de recomeçar. Uma realidade impulsionada pelo programa Feito em Santos, política pública, que completa seis anos nesta quinta-feira (7) e vai muito além da geração de renda.

O que começou, em meio à pandemia, como uma vitrine digital para apoiar artistas, artesãos e pequenos empreendedores da Cidade, já impactou 2.740 profissionais e movimentou mais de R$ 2,5 milhões, somente em 2025, e soma mais de 20 mil seguidores nas redes sociais (@feito.emsantos).

Criado em 7 de maio de 2020, o Feito em Santos cresceu e hoje reúne feiras, capacitações, aceleração de negócios e espaços permanentes de comercialização e formação empreendedora.

O programa também acompanha o avanço da economia criativa na Cidade, que atualmente reúne cerca de 9 mil microempreendedores individuais ligados ao setor, principalmente nas áreas de gastronomia, moda e acessórios.

Além das feiras e ações coletivas, a iniciativa investe fortemente na qualificação profissional. O Programa de Aceleração de Empreendedores Criativos já capacitou mais de 100 profissionais em parceria com o Sebrae, enquanto o Primeiros Passos, realizado em conjunto com Sebrae, Vilas Criativas e Esamc, oferece oficinas gratuitas voltadas à estruturação de pequenos negócios.

O crescimento do Feito em Santos também pode ser percebido nos eventos promovidos pela Cidade. O Mega Feito em Santos, maior encontro gratuito de criativos, realizado pela Prefeitura, reuniu 180 expositores em sua última edição.

Já as feiras fixas FeirArte (Boqueirão e Aparecida) e Feito em Santos Valongo cresceram de 99 expositores, em 2024, para 167, em 2026.

No Centro Histórico, a Casa do Artesão, instalada na Casa do Trem Bélico, abriga a Loja Colaborativa, espaço onde artesãos locais expõem e comercializam seus produtos autorais.

Para celebrar seis anos de realizações e conquistas, uma feira especial será realizada nos dias 30 e 31 (sábado e domingo), na Casa da Frontaria Azulejada, no Centro Histórico.

A programação contará com atrações para toda a família e o melhor da economia criativa. Mais informações serão divulgadas em breve.

Instalada em um dos cenários mais emblemáticos da Cidade, a Estação Valongo, junto ao embarque dos bondes, a Feira de Artesanato Centro com Arte foi criada em 2016 no Centro de Santos e rebatizada em 2020, como Feito em Santos – Valongo, passando a integrar o calendário de feiras fixas do programa Feito em Santos.

Agora, a iniciativa comemora dez anos reunindo 16 expositores de segmentos como fotografia de época, artesanato em vidro, marchetaria, madeira, miniaturas em resina, papelaria artesanal, crochê, costura e pintura. Funciona aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h.

Entre as histórias que ajudam a traduzir o impacto do programa está a da artesã Marisa Targinho, de 24 anos, à frente do Artesanato de Cobre (@artesanatodecobre). Natural de Alagoas e morando em Santos havia pouco tempo quando a pandemia começou, ela encontrou no artesanato uma forma de enfrentar o isolamento e a saudade de casa.

Utilizando fios de cobre reciclados, passou a produzir árvores artesanais inspiradas em uma técnica aprendida ainda no ensino médio. O que começou como distração acabou se transformando em profissão.

Há cerca de três anos no Feito em Santos, Marisa afirma que o programa mudou completamente sua trajetória. Após ser aprovada na Casa do Artesão, ganhou visibilidade, participou de novas feiras e viu o negócio crescer. Mas foi durante um dos momentos mais difíceis da vida que encontrou força para continuar.

“Eu pensei em desistir de tudo porque sentia que não tinha mais nada. Tinha acabado de perder meu pai, com quem eu era muito apegada. E foi justamente no Feito em Santos que comecei a receber reconhecimento e acolhimento”, relembra emocionada.

Ela conta que ainda se surpreende quando vê pessoas admirando suas peças. “Às vezes penso: ‘Como alguém consegue me enxergar? Eu sou tão pequena’. E, mesmo assim, as pessoas chegam, olham e levam uma peça para casa”.

Para Marisa, cada criação carrega memória e afeto. “A árvore da vida lembra a casa da avó, da mãe. Tudo o que faço com as minhas mãos vem realmente do coração”.

O sentimento de reconstrução também acompanha a trajetória de Rosângela Souza, de 56 anos, criadora da marca Zaya Mor (@zaya_mor).

Após perder o filho, há dez anos, ela encontrou no artesanato uma maneira de transformar a dor em acolhimento e afeto. O nome da marca nasceu da união entre o apelido do filho e a palavra “amor”, sentimento que passou a guiar cada peça produzida.

Depois de mais de três décadas de trabalho formal, Rosângela encontrou no Feito em Santos um novo caminho profissional. Participou de cursos, aprofundou conhecimentos em gestão e estruturou o próprio negócio.

Hoje, produz peças afetivas inspiradas nas memórias de mães, avós e bisavós, além de acessórios voltados ao conforto emocional infantil, como naninhas e bonecas artesanais.

“O Feito em Santos me fez voltar a acreditar em mim. Foi como ganhar uma nova profissão e uma nova chance de continuar”, afirma.

Na gastronomia, o programa também impulsiona histórias de superação. A cozinha sempre esteve presente na vida de Elis Alves, de 50 anos, à frente do Laricone (@laricone_oficial). O negócio, criado ao lado dos irmãos, acabou interrompido e permaneceu adormecido durante anos, com equipamentos guardados na garagem da mãe.

Foi durante a pandemia, após deixar trabalhos como freelancer e enfrentar um período de incertezas, que ela decidiu recomeçar. Incentivada a participar de feiras, Elis conheceu o Feito em Santos e encontrou no programa o impulso que precisava para voltar a acreditar no próprio talento.

“A Aceleradora me devolveu o calor da cozinha, aquela adrenalina que eu não sentia havia muito tempo. Me mostrou que eu ainda era capaz”, conta. Hoje, o Laricone participa de feiras pela Cidade levando receitas afetivas e sabores ligados à memória familiar.